25 de ago de 2009

No fim...

Ele olhou... olhou...
Mas não conseguia saber o que era...
Seus grandes olhos curiosos...
admirava aqueles pulos tortos e as intensas cores ...
Cambaleando tentava se aproximar...
O que será que o encantava?
Que o fazia pelas parede escorar ...
tentando manter seu velho corpo ereto...

Um pequeno e frágil inseto?
Uma borboleta caída ao chão com suas asas cortadas?
Era o que os meus olhos alcançavam...

Seu sorriso tolo e ingênuo brotava nos lábios...
Eu de longe...
Com minha tela e minhas tintas...
Parei diante do que via...
O esforço era imenso...
Seus passos lentos... guiados por suas calejadas mãos que de pé o mantinham...

Com muita dificuldade ele se abaixou e pegou o inseto semi-morto
Empolgado ... perdeu o equílibrio e caiu ao chão...

Eu pensei em ir ajudá-lo...
Exitei...
Ele segurando-se com uma das mãos apenas...sentou-se e se ajeitou...
Empurrando de si a poeira que subia...

Na outra mão onde tinha deixado o inseto
Estava cerrada...
Balançava a cabeça com medo do que viria...

Sua expressão era fria...distante ... e solitária...

Meus pincéis desenhavam aquele semblante triste e perdido...

Ele ficou imóvel durante muito tempo....
Como se soubesse que era meu modelo vivo....

Naquela quietude...
Eis que ... ele sentiu algo em sua mão...
Pois despertou da inércia... do seu silêncio mórbido

Levou sua mão pra perto do seus olhos...
E calmamente abriu-a...

A borboleta o olhava... era o que eu notava...
Estava distante mas tinha certeza....que havia algo extraordinário acontecendo ali...

Seu sorriso ressuscitou nos lábios...

E acho que os dois se abraçaram mutuamente

Compartilhando seus limites... Seus últimos dias de vida juntos...

gratos um ao outro por não partirem sozinhos....

Pintei incansavelmente...

A visão desse momento raro...

O reencontro do homem com seu lado menino...

E a natureza de braços abertos para recebê-lo...

Um momento único e puro ...
Um instante de paz....amizade.... e despedida...

23 de ago de 2009

Poesia Morta

Não há poesia em mais nada
Não existe o toque gentil no rosto
Um momento neutro de olho no olho
Não existe troca de promessas
De amor eterno
A vida perdeu a poesia
Inundou-se no dia a dia
Vago, inerte sem sentindo
O amor rendeu-se a modernidade
Troca de juras
Restou no email
De mensagens encaminhadas
A poesia perdeu a graça
A poesia vazou para o passado
Prendeu-se no tempo
Mergulhou no vazio
Ficou careta
Ficou ultrapassada
Ficou morta
E as vezes
Vagamente lembrada
Nos poucos poetas
Que ainda persistem
Escondidos nos romances de sonhos antigos
Relutando desesperados
Buscando trazer a vida
Momentos de magia
A paixão pelas palavras com sentimentos
O encontro pessoal
Tentando com frases de sangue
Banir o amor virtual
Tentando reviver
A poesia
Suas falas
Suas rimas
Mas não resta muita esperança
Poucos ainda sentem sua falta...
Poucos sonham com a sua volta....
A poesia já sabem... com dor no coração e lágrimas na alma....
naufragou e agora apenas vive nas suas lembranças.....

Manto da Sabedoria

Eram duas almas lindas abraçadas num puro delírio poético
Eu poderia ficar ali
Dias e dias contemplando
Aquele inspirador amor
Com meu lápis apontado e minha folha branca
Poderia e fiquei
Parado e quieto
Admirando cada longo beijo cada gesto meigo...
Enfeitiçado por cada momento lento...
Extasiado de euforia...
Por sentir no peito...
Um amor puro... inocente e verdadeiro...

Meu bebê

Chego em casa
Depois de um dia turbulento
Com mil pensamentos
Cheia de cansaço e pouco caso
E de repente
Escuto uma voz fina e inocente
Chamando meu nome
Me roubando um sorriso
Me envolvendo de um amor sincero
As névoas negras do dia longo e frio
Abandonam completamente meu espirito
Me agacho e abraço aquele corpinho indefeso
Envolvo no mais gostoso calor
Sinto aqueles bracinhos pequenos
Comprimindo meu pescoço
E depois desse breve abraço meigo
Sinto as mãozinhas acariciarem meu rosto
Tirar da minha testa todos os meus desgostos
E suavemente arrumando os meus cabelos
Dizendo palavras incompreendidas
Trocando sílabas
Falando numa velocidade tão linda
Com aqueles dentes pequenos
Eu só querendo parar o tempo
E ficar ouvindo essa voz tão fina
Que me aquece por inteiro
Me leva há um mundo de flores perfumadas
De jardins encantados
De dias sempre ensolarados
Tudo deixa de ser sem cor
O coração bate feliz no peito
E os olhos grandes e azuis da minha pequena Patrícia
Me toma de um sossego brando e verdadeiro
Assim enfeitiçada por aquele pedacinho de gente
Aperto mais uma vez contra o meu ser
Lhe beijando a face...
Levo-a para dentro
E fico sentada ouvindo suas histórinhas
Do seu dia de brincadeiras no parque
Do dia que ficou de noite de novo
Do bicho-papão no canal de TV
Do brinquedo barulhento que parou de funcionar
Da Barbie que sumiu
Do tênis que ficou preso no escorregador
E de inúmeras coisinhas
Que eu não entendia
Mas fiquei ali...
Ouvindo cada pedacinho contado
Cada palavra sem sentido
Até o sono lentamente lhe fazer a boca abrir
fechar suas pálpebras
Fazendo-a escorregar para o meu colo
Aconchegando sua pureza em mim
Faço um último carinho
Antes de colocá-la no berço
Sorrio
Pela graça recebida
Por minha magnifica família
Respiro fundo
Espanto o mundo
E esqueço sempre ...
Todos os defeitos e fracassos da minha vida...

Saudades eternas

Lembro-me da última vez que te vi
Tanta incompreensão, palavras imperfeitas
Você diante de mim.. tão linda...
Com os olhos marejados de lágrimas
Me fazendo perguntas...
Quanto tempo já passou
Tanto choro já calei
Tanta saudade já levou
Em cada lembrança um pedaço de mim
Lembro-me dos anjos
Em meu ouvido dizendo
Abrace-a.... conforte-a
Ignorei o aviso de despedida
Vir-te descer as escadas
E ir embora pra sempre da minha vida
Não restou um Adeus
Não restou mil desculpas
Um apenas eu te amo
Ficou o vazio
Que o tempo não sela
E a ferida não cicatriza
Sangra os meus erros
Jorra os nossos desencontros
Queria ter amado mais
Ter protegido como devido
Em todos os sentidos você!
Os dias se vão
A dor persiste forte e feroz
Ao anoitecer...
Olho em volta no meu quarto
Buscando um pouco de seu brilho
Não encontro nem um raio de luz
Estou sozinha olhando para o teto
O vento sussurrando a madrugada triste e fria
Prendo o choro que teima em emergir
Querendo gritar...ensurdecer-me de saudades
Tento lutar e continuar...
Para um dia finalmente te reencontrar...
Mais tem dias... tem noites...
Que tudo parece perdido
Nada consegue amparar-me
E nesse segundo...
Eu queria apenas fechar meus olhos
Entorpecer-me da morte...
E somente por esse milésimo te vê...te ouvir
Só uma única vez...
Para dizer o que deixei escapar...
O que neguei-me a te confessar...
Te amo e para todo resto da minha vida
. ...Vou te amar...

Como?

Como se espera que eu prossiga
Sabendo que o dia clareia e não vem inspirações de um amor eterno?
Que toda essa baboseira desenhado em versos e músicas mentirosas
Não passam de ilusões poéticas que servem para invadir a alma e propagar sofrimento de sonhos irreais?

Como posso deixar que essa tola esperança ainda continue no meu peito
Me alimentando de coisas imbecis e impossíveis?

Como posso escrever palavras apaixonantes senão me acontece isso?
Se tudo se esquiva do meu peito?
Se minhas palavras são só frases prontas de idiotas lembranças?
Criadas em momentos de copo transbordando da mais gelada cerveja?
Com risos empolgantes
Álcool no sangue
Tudo uma imaginação de noites frias, noites quentes, noites vazias

Como posso tentar me achar se não sei mais que caminho quero seguir?
Se a escuridão vorazmente me deixa com o olhar perdido?

Não posso buscar mais sentido
Não quero mais palavras fantasiosas
Não quero mais rimas e estrofes
Não quero mais Fé no amanhã
Não quero mais meus pensamentos, meus delírios

Quero apenas minha inércia
Quero apenas o único sentimento que existe na vida...

O SILÊNCIO...

16 de ago de 2009

É isso ai...

Eu não quero seu olhar longe do meu...
Mas sei que ele não encontra o caminho de volta...
Eu não quero me despedir dos nossos momentos
Tão simples e serenos...
Mas eles cada vez ficam mais distantes
Perdidos na memória..
Eu não quero que você se despeça de nós dois
Do que tivemos...
Mas sinto que a despedida já aconteceu...
E eu ainda não disse Adeus!
Eu não quero escrever essa saudade...
Mas ela cresce e já não consigo conter...
As palavras formam... se juntam... e me mostram...
Teu sorriso longínquo e sua risada em algum lugar no passado.
O futuro vem tão incerto.
O presente é tão vazio
Agora nem o sono me consola...
Nem as lágrimas me acalmam...
Você se foi... e eu ainda não sei...
o que farei agora com tantas lembranças de nós dois!

7 de ago de 2009

Errei... e confesso!

Sabe...
Eu acho que andei exagerando...
A minha descrença foi tão imensa que me fez perder o rumo da conversa...
Encontrar alguém que me faz bem...
Me faz sorrir espontaneamente...
E me sentir especial...
É algo surreal.. num mundo cheio de erros...
de tolices e vacilos...
Deixar isso sair das minhas mãos sem ter chance alguma de agarrá-lo
é desumano e cruel...

Eu errei confesso!
Errei em demonstrar tanto descaso...
Em atender ligações alheias ao nosso momento...

Errei por não ter desarmado um pouco...
Por não te dizer palavras mais brandas ...

Errei em não me aproximar do seu abraço!

Eu sei gostar de alguém!
Eu sei sentir isso também!
Sei o que é devido... responsabilidade... carinho e respeito!

Eu acredito em fidelidade... em sentimentos duradouros...
Acredito na paixão verdadeira... no amor eterno...

Não quero desistir... não quero "deixar pra lá"...
nesse mundo caótico... sei que nós dois não somos por acaso...
Um evento do destino... um dia de passagem... uma estação ...
uma parada...um momento perdido...

Eu errei confesso!

Assumo minhas mancadas... minha teimosia...
O mundo mostrou-me coisas horriveis e isso não deveria ter adentrado tanto meu coração...
Mas invadiu-o... tornando-me intolerante... e vazia...

Eu confesso... confesso quantas vezes necessário for...
Confesso que ... deveria ter dito algumas palavras ... me explicar...
Não deixar ao léu...

Confesso que tinha escolhido você... que queria tão somente você...

Mas as coisas simplesmente me escaparam...
Eu nada disse... nesse mundo de loucos... nesse mundo de tão poucos verdadeiros...reais...
Não acreditei que éramos um para o outro mais que conversas insanas de msn... éramos e podíamos ser mais...

Simplesmente especiais...

Eu errei... errei e confesso!

5 de ago de 2009

Hoje

Hoje
Eu não vou me esforçar
Nem tampouco trabalhar insanamente
Hoje
eu não vou dar idéia pra essa gente gorda
Nao vou cumprimentar ninguém que não toma banho há séculos por educação
hoje
eu nao vou tirar o fone do ouvido
pra escutar chefe chato esperando o elevador só pra ser simpático
Hoje
não vou subir de escada pra evitar aquele papo de otário
Simplesmente vou ficar com minha MPB
Cantarolando desafinadamente
Hoje
eu não vou me importar
se ficarem berrando meu nome... como se eu fosse marido na hora do parto...
Hoje
eu vou sentar na praça
jogar milho pros voadores ratos...
Ignorar quem quiser falar...
tampar os ouvidos e cantar bem alto
E pouco me importar
se de louca vão me chamar

Hoje quero que o mundo me esqueça....
Hoje quero um tempo apagado....
ninguém do meu lado
nem conversinha tola

Hoje... só por hoje...

EU QUERO QUE TUDO SE FODAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!