27 de nov de 2007

O Mal do Milênio

Estou com um nó na garganta que me dilacera
Fico na espera de um sofrimento menor
De um sorriso menos melancólico
De uma amizade mais sincera
De algo que faça o meu sorriso voltar a brilhar
Como os raios do sol dourados
No céu cinza a iluminar
Em meio há tanta lamuria
Tenho tentado viver por dentro
Mais meu coração teima em ficar silencioso
Como as pedras que enfeitam os cemitérios
Sinto-me alma penada
Vaga e com medo do futuro
Esse que me vem tão turvo
Meus pensamentos eram tão quentes
E cheios de vida
Mais a idade me obriga a sentir pena de mim mesma
Como o sorriso ao choro
Meus olhos incham de infelicidade
A vida anda escassa de mim
Que me lembro de acordar
Dormir, talvez...
Ou quem sabe
Sorrir, caminhar... Ver o sol
Ver alguns extintos amigos
Sentir um pouco o meu eu
Que corrói sem vacilo algum
Um abismo em minha vida
Ás vezes sinto que nada sou
Isso é o pessimismo do século
Nada hoje realmente importa
Amargos estão os meus dias
Sem um cálice de sabedoria
Amargos estão os meus momentos
Sem um punhado de compreensão
Sou um vazio
Sobra-me solidão
Não é a falta de um amor
Nestes dias de hoje

Isso não é importante
Enche-me os olhos de tristeza saber
Que sou nada
Perto de uns miseráveis níqueis
Provavelmente também
Beiramos ao fim
Esse é o preço da modernidade
Sinto falta de momentos que não vive
De épocas que não senti
Ah! Meu ALVARES DE AZEVEDO
Quem dera ter-lhe conhecido
Morreríamos abraçados
No solitário âmago
Em meio há uma escuridão sem fim
Estou só e por dentro gelei-me
DEUS o que será de mim agora?
Sinto-me as pálpebras pesarem
Tenho sonho e pouca imaginação
Para fechar os olhos e dormir
Estou tão só
Tão só no meu cantinho
Tão esvaído esta o meu coração
Tão só vou deitar-me
Fechar os olhos
E pensar em um meio
De ganhar modernidade
Mas estou tão gélida
E tão só deito-me
Com o meu frio coração
Encravado no meu peito.

Nenhum comentário: