27 de nov de 2007

Despedida de mim


Olhando no espelho
Me deparei com uma marca do tempo no meu rosto
Um vestígio da matéria do meu sofrimento
Um ano mais velho
Tantos discursos nos primórdios da juventude
Tanto horizonte a desbravar
Tanta expectativa para o incerto futuro
E agora o que vejo
São cicatrizes da vida
Seladas na minha face
Amores que se foram
Não sei porque se perderam tantas juras de amor
Amigos que sumiram
E ao longe de vez em quando acenam
Mas quase sempre
Um sorriso ausente me é lançado
O reflexo do meu olhar
Mostra-me
Onde perdi partes de mim
Em cada despedida
Em cada morte sentida
Em cada último beijo
Em cada sorriso perdido
No fim do colégio
No término da faculdade
Naquele abraço não dado
Na briga não resolvida
No choro interminável de noite
No soluço da saudade...
Nas palavras não ditas
No orgulho intolerante e imaturo...
Por fim...
Foi a dor
Que roubou minha pureza
Minha juventude
Minhas certezas
Assim...
Deixo a velhice se apoderar do meu corpo
Invadi-lo...
Dominá-lo... e açoitá-lo ao fim...

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